Algumas considerações sobre o feminismo I


Fraternas,

Não costumo me ater as coisas politicas ideológicas, mas inspirada por colocações de uma fraterna feminista me mobilizei a refletir sobre o feminismo, que hoje me é um tema requentado, mas sei que ainda é necessário ser refletido em alguns pontos para dedicar as pessoas desavisadas que infelizmente ainda se iludem com o feminismo achando que este movimento politico-ideológico salva as mulheres da opressão masculina etc, etc, etc. Quando isso não é verdade. Por isso vou tentar desmitificar um pouco esse “caô” de acordo com minha capacidade de escrever e repetir-me.

Bom... Vamos por partes:

* O feminismo foi um movimento inicialmente reativo e não emancipatório como seus defensores fazem pensar. Pois as primeiras mulheres que se organizaram por melhores condições de vida não buscavam independência e sim melhor convivência com os homens já que pelas leis e regras vigentes as mulheres ficavam vulneráveis a maus tratos de maus homens que abusavam da autoridade que os homens tinham na época para expressarem seus patológicos sentimentos em relação as mesmas e praticar a violência e injustiça contra as mais fracas. Mas que fique bem entendido que essa atitude feminina foi por reação, e que teve o apoio de inúmeros homens que também não gostavam que suas parentas ficassem por lei a mercê de homens irresponsáveis. Na totalidade dos homens os covardes sempre foram minoria, mas infelizmente a má ação de poucos condenou gerações inteiras de homens que em nada poderiam ser desabonados. Ao contrário, foram pais, esposos, filhos, irmãos devotadíssimos a proteção e sustento das mulheres que estavam sob suas responsabilidades. Estes não são citados pelo feminismo, mas foram verdadeiros cavalheiros que viveram para o trabalho, zelando pelos bons costumes morais que garantiram o bem estar e segurança das mulheres, não só suas consanguíneas, mas todas de seus grupos sociais.

* Não se pode desconsiderar quando refletirmos sobre as benesses do feminismo que este foi um movimento iniciado num período especifico da historia das mulheres, de mulheres de classes sociais, culturas e etnias especificas, e em alguns pontos geográficos da vasta Terra, ou seja: A ideia do feminismo não é unanime nem universal. Porém, como é posto nos livros de historia, outros didáticos e nos discursos prontos de suas defensoras nos fica parecendo que o feminismo foi um anseio de todas as mulheres e isso não é verdade. O feminismo não representa a vontade da totalidade das mulheres do mundo. Muitas mulheres de outras classes sociais, etnias e culturas religiosas não tiveram nem têm a menor necessidade da implantação do estilo de vida feminista em suas vidas, muito pelo contrário, a implantação disso só pode ocorrer por aculturação, aniquilamento da identidade cultural de tais mulheres, o que é no mínimo autoritarismo, opressão e desrespeito a cidadania feminina em âmbito geral planetário. É como querer formatar todas as mulheres num molde de algumas. Portanto, o feminismo não pode ser considerado como um movimento legítimo e sim um elemento opressor da mulher, onde umas poucas se intitulam donas do destino de todas e assim resolvem que todas devem viver sob uma ideologia que não as contempla.

*Se inicialmente o feminismo foi importante a um grupo de mulheres para uma reação a maldade de homens inescrupulosos de seu grupo, os quais inclusive foram educados por elas, hoje já com a cidadania forte não há mais motivo para manter eternamente uma pauta de reivindicação para coisas que não fazem mais parte da realidade da vida das mulheres de tal grupo social, como por exemplo, a argumentação vitimista de que a mulher está num patamar inferior na sociedade, pois as leis não confirmam isso. E fazer guerra dos sexos é algo não só estupido como inoperante a vida feminil. Os homens não são nossos adversários, são nossos sócios na vida humana, coabitamos com eles e demais viventes o planeta e este planeta, o nosso, a nossa casa, está a cada dia mais poluído e os recursos naturais se extinguindo enquanto uns grupos de feministas de crachá se arvoram representantes de todas as mulheres e reclamam uma igualdade de direitos totalmente sem sentido para o bem estar feminino, e se isso já não bastasse ainda exigem e angariam verbas publicas e privadas para realizar seus intentos de aquisição de poder usando inúmeras questões femininas as quais elas sequer têm consciência... Já que vivem a realidade apenas de suas classes sociais e tradições étnicas culturais e negligenciam a diversidade e pluralidade das necessidades femininas além dos seus umbigos. Lembrando que: O processo de aquisição de direitos civis femininos foi impulsionado por necessidades históricas de politica e economia do mundo. O mundo precisou para desenvolver-se economicamente do trabalho feminino em todos os níveis e, naturalmente, do desenfreado e infantil consumo feminino, sem contar que as grandes guerras incrementaram essa tal emancipação da mulher por necessidade dos países envolvidos, portanto a emancipação da mulher não foi por conquista heroica feminina e sim contingências dos tempos, os homens de poder politico e econômico do mundo inclusive foram os maiores interessados e responsáveis por isso.

*O discurso feminista que prega que o feminismo propiciou a liberdade da mulher trabalhar fora, tudo “caô”. A mulher sempre trabalhou fora de casa, exceto as de classes sociais mais abastadas que ficavam de papo pro o ar enquanto criadas, escravas e camponesas trabalhavam fora de casa. Hoje vemos mulheres de papo para o ar, curtindo fortunas adquiridas por homens, enquanto suas empregadas e secretarias ralam. O trabalho nas plantações, no comercio, nas escolas, nos hospitais, nas fabricas e nos serviços domésticos em casas alheias sempre foram povoados por mulheres muito antes do feminismo. E os direitos trabalhistas sempre foram negociados por categorias de trabalhadores, quando as mulheres trabalhavam mais de oito horas por dia sem fundo de garantia nem férias ou licenças medicas, os homens também trabalhavam assim. Hoje é comum mulheres que vomitam discursos feministas que reclamam que a mulher está em situação inferior ao trabalho masculino, explorarem suas empregadas domesticas e funcionarias em geral e não respeitarem seus direitos trabalhistas, portanto há de se ter boa observação nestes discursos, até onde vai a pratica honesta e a fala hipócrita nesta dinâmica.

* As defensoras do feminismo dizem que foi este movimento o responsável pelo direito ao estudo feminino. Nada, mulheres de famílias mais abastadas podiam estudar tinham acesso a preceptores e livros, as mais pobres, tal como ocorre hoje, não tinham tempo de estudar porque estavam com seu tempo ocupado em trabalhar para sua família ou para si. Popularizou-se o estudo feminino nas ultimas gerações, mas foi por necessidade do mercado de trabalho e não por obra do feminismo. Hoje com tanto feminismo pago com verba publica existem mulheres analfabetas cortando cana de açúcar ou revirando os lixões nas periferias das cidades. O estudo mais avançado sempre foi coisa de luxo tanto para mulheres como homens, sempre nas castas mais pobres apenas as mulheres e homens vocacionados ao estudo e, obviamente, muito obstinados que conseguiram esse bem, independente de sexo, usar como desculpa as tarefas e responsabilidades de mãe de família para dizer que a mulher não estudava por isso é fugir da verdade de que as mulheres são universalmente menos interessadas em estudos. Até porque em ultima instancia a mulher poderá viver à custa de homem, pai, esposo ou amante, e os homens além de ter que se sustentar haverão de sustentar seus filhos, e isso determina muito o comprometimento com estudos e trabalho.

Outra coisa que merece um olhar bem cuidadoso no discurso feminista é essa neura com a Grécia antiga... É bom lembrar que de lá pra cá não resta nem sombra das necessidades das mulheres daquela cultura étnica. O mundo da época era de guerra e pilhagem, a Grécia tinha muito pouco a comercializar porque a geografia do lugar é de chão de pedra e isso não os ajudou muito a eles. Os povos antigos tinham uma religiosidade muito diferente das religiosidades atuais, não dá para comparar ou usar com referencia a vida das gregas com a nossa. Além disso, há de se considerar inúmeros detalhes que determinaram os destinos daquelas mulheres, como por exemplo, o fato da Grécia ser formada por cidades-estados e não uma coisa homogênea, nem todas as gregas, portanto, foram as coitadas cantadas nos versos do Chico Buarque, e mesmo nestas mulheres de Atenas, se sabe que houveram as ilustres senhoras herdeiras que tinham tanto poder politico que influenciavam muito os rumos de Atenas, fora as sábias que não só conviviam livremente com os grandes filósofos pra cima e pra baixo pelas praças de Atenas como participavam dos grandes debates sobre variados temas com eles, e com certeza interviam nas decisões politicas. O feminismo não cita estes exemplos de liberdade, autonomia e intervenção feminina, mas claro que estas não eram coitadinhas e nem queriam ser, ao contrário deveriam ser estudiosas e esforçadas. Também se observarmos a mitologia grega ateniense mesmo, se vê inúmeras personagens femininas de grande respeitabilidade como, por exemplo, Atenas, a deusa da sabedoria, justiça e da guerra que inclusive dá nome a cidade. Por isso não sei se essa “coitadice’ toda faz muito sentido. Mas até que faça, temos também que considerar que os valores numa cultura de guerra teriam mesmo que ser mais de exaltação as virtudes masculinas por extrema necessidade de sobrevivência, e nisso claro que algum desequilíbrio se instalaria nas relações entre os sexos. Em outras cidades gregas, as mulheres assumiram posturas mais ativas, menos dependentes, mais cooperativas nesta sobrevivência por via bélica e não se sabe de tanto coitadíssimo, como o caso das espartanas. As gregas da ilha de Lesbos se viravam pra viver e ao que se supõem elas não eram coitadinhas. As atenienses tinham escravas e não se sabe se eram lá muito boazinhas com as que estavam em situação inferior a elas, e mesmo elas não sendo lá muito idolatradas apenas por serem mulheres e nem muito amadas pelos homens, que alias em boa parte amavam uns aos outros por costume cultural, talvez por necessidade de assim por afetividade formarem exércitos mais coesos, ainda assim elas não ficavam desprotegidas na velhice nem tinham que enfrentar as guerras, segundo os vestígios de Atenas as instalações eram até bem bonitas e confortáveis para elas. Ademais não creio que seja justo conosco nos espelharmos no suposto infortúnio das gregas antigas e assimilarmos uma suposta magoa delas aos homens e culpar nossos homens atuais por supostos maltratos que gregos lá pro século V a.C. fizeram as suas conterrâneas, podemos até questionar a matriz cultural grega e não tomarmos como nosso ideal de vida entre os sexos, principalmente não reproduzir esse modelo de relação, mas por na conta dos homens descendentes dos gregos e de inúmeras outras etnias os feitos dos gregos antigos é um absurdo.


Nesta breve e superficial escrita não academica e muito pessoal me foquei em alguns dos inumeros equivocos que vejo no feminismo, claro que nem em mil paginas eu poderia levantar todas as questões e exemplos dos equivocos desta ideologia, mas de momento é o que tenho a compartilhar e por isso concluo essa reflexão desejando a todas um final de semana de paz e amor com seus familiares e amigos, isso é: sem guerra dos sexos.


Fraternamente,

Símia Zen.

8 comentários:

Mauricio Trindade

Este texto é muito bom. Particularmente não sinto a necessidade de tentar provar o contrário do que feministas pensam sobre História, se as coisas eram de tal modo havia uma razão de ser.

Obs: você escreveu;se vê inúmeras personagens feministas de grande respeitabilidade

Será que você não quis dizer Femininas?

Símia Zen

Olá Mauricio Trindade, nem eu acho q vale a pena...

Ah já corrigi, realmente era "feminina" que eu queria dizer.

Obrigada :}

MDI

Esse artigo proporciona uma leitura agradável, com enfoque respeitoso aos homens e às mulheres.

Relembra uma parte da história esclarecendo o quanto a vida era dura para todos.

E tem a extraordinária virtude de deixar claro que nenhum grupo tem o direito de decidir o destino de todas mulheres ou homens.

Vou recomendar.

MDI

Cinara Menoni

Esclarecedor seu texto, até então eu achava(foi o que me contaram) que todos os homens eram opressores, todos menosprezavam suas mulheres e as classificavam com QI de ameba. Embora tenha Ouvido isso, eu nunca achei que no mundo de hoje todos os homens são opressores e canalhas.
Também vejo os homens como nossos parceiros, companheiros e jamais como oponente. Inclusive me assustei a ler alguns blogs, onde há generação sobre as mulheres,como todas sendo manipuladoras e "canalhas", onde muitos dizem ser masculinistas( o que sou à favor) mas na realidade são machistas, pois um homen que diz que se ele fizer as tarefas da casa, esta sendo capacho da mulher, mas se for a mulher a fazer este serviço para ele,não tem problema, não passa de um machista hipócrita para mim. Qual o problema de ambos cuidarem da casa em que vivem?

Cinara Menoni

Vou indicar seu blog as minhas amigas, pois acho que temos que ter o esclarecimento e a verdade dos fatos, pois só viveremos bem com os nossos parceiros semeando as coisas boas e não o ódio como muitas feministas querem embutir em nossas cabeças.Alguns homens são canalhas e algumas mulheres também, sempre odiei as desculpas das minhas amigas: todo homem não presta....
Mas e quanta mulher também não?
Vejo discursos maravilhosos a respeito da canalhice dos homens e comportamentos totalmente hipócritas , pois agem do mesmo modo que julgam.
Ci

Símia Zen

É isso ae, Cinara Menoni! Concordo total, é fácil achar defeitos nos outros mas dificil ter auto critica, nenhum ser humano é perfeito, nem homem nem mulher...

Sandro

Nossa, descobri o blog há pouco e me espantei com a lucidez desse artigo. Um texto desses desmascara as feministas e seus discursos. Eu andei lendo alguns livros de autoras feministas e só posso concluir que tudo aquilo é fruto de uma mente doentia e maquiavélica. Elas agem como se os homens se reunissem às escondidas e tramassem opressões as mulheres. O feminismo é o maior jogo de inversão de valores que já surgiu na face da terra

Símia Zen

Que bom que o RF lhe foi útil, Sandro.

Na primeira pag do RF há algumas indicações de sites que tratam mt bem dessa temática - em Parcerias - até com muito mais profundidade e crítica, dá uma olhada, creio que podem dar bons esclarecimentos sobre o feminismo.

Boa leitura!

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